# Ultraprocessados: a briga saiu do prato e foi para a escola e para a lei Um quarto das calorias dos adolescentes brasileiros vem de ultraprocessados, e a regra aperta na merenda, na cantina e no Senado. Os números, a disputa política e o que muda para as marcas de alimento. Por Bruno Lobo Pinheiro, Fundador e estrategista da Shaper. Publicado em 22 de outubro de 2026, atualizado em 22 de outubro de 2026. Fonte original: https://sinapse.shaper.company/blog/ultraprocessados-escola-lei/ **Ultraprocessados respondem por 26,7% das calorias dos adolescentes brasileiros, e a regra sobre eles aperta na merenda, na cantina e no Senado.** Para as marcas de alimento, a escola virou a linha de frente da discussão. Os números estão abaixo, com a fonte de cada um, junto com a disputa política e o que fazer antes que a regra chegue. ## Quanto o brasileiro come de ultraprocessados Em média, cerca de 20% das calorias que o brasileiro ingere vêm de ultraprocessados, com consumo maior nas áreas urbanas, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP noticiada pela [Veja Saúde](https://saude.abril.com.br/alimentacao/20-da-dieta-dos-brasileiros-e-composta-por-ultraprocessados). A fatia muda muito com a idade. Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2020, do IBGE, citados pela [Agência Senado](https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/05/26/conceito-e-questoes-de-saude-contrapoem-debatedores-sobre-ultraprocessados): | Faixa etária | Calorias vindas de ultraprocessados | |---|---| | Adolescentes | 26,7% | | Adultos | 19,5% | | Idosos | 15,1% | ## A escola virou a linha de frente Nas cantinas de escolas particulares, ultraprocessados são cerca de 50% mais vendidos do que alimentos in natura ou minimamente processados. No comércio ambulante perto das escolas, a diferença chega a 117%. O estudo, da UFMG com outras 23 instituições, analisou quase 3 mil pontos de venda em todas as capitais, segundo a [UFMG](https://www.ufmg.br/comunicacao/noticias/pesquisa-e-inovacao/escolas-particulares-vendem-50-mais-ultraprocessados-do-que-alimentos-saudaveis). A regra está apertando nas duas pontas. Na merenda pública, o governo federal anunciou a redução do limite de ultraprocessados de 20% para 15% em 2025, com meta de 10% em 2026, informou o [g1](https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/04/governo-limite-de-ultraprocessados-na-merenda-escolar-para-15percent.ghtml). Na cantina, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou o Projeto de Lei 4501/2020, que proíbe a venda de ultraprocessados em escolas, segundo o [Sintepe](https://sintepe.org.br/projeto-que-proibe-venda-de-comida-ultraprocessada-em-escolas-avanca-no-senado). ## A disputa política em volta do prato Agro, varejo e indústria se uniram num lobby contra o chamado "imposto do pecado" sobre ultraprocessados, mostrou o [Brasil de Fato](https://www.brasildefato.com.br/2025/03/17/lobby-de-ultraprocessados-uniu-agro-varejo-e-industria-contra-imposto-do-pecado) em março de 2025. Seis meses depois, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a pressão de empresas de tabaco, álcool e ultraprocessados impede governos de adotar políticas de saúde como impostos e restrições ao marketing para crianças, segundo a [Folha de S.Paulo](https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/09/gigantes-do-alcool-tabaco-e-ultraprocessados-impedem-novas-politicas-de-saude-diz-oms.shtml). **Nossa leitura:** a discussão saiu da nutrição e entrou na política. Merenda, projeto de lei e tributo estão na mesa ao mesmo tempo. Marca que espera a lei passar para decidir o que fazer vai decidir com pressa. ## O ultraprocessado é o mais barato da gôndola Para mim, o ponto principal é econômico. O ultraprocessado é o vilão. E é a solução mais barata na gôndola. Tem uma questão de classe aqui: qual família consegue fugir dele, e qual, infelizmente, não consegue. Por isso eu acredito que a legislação tem que ser mais rigorosa. A lupa no rótulo faz pouca diferença para quem já é fiel a um produto. Mas quanto mais regra, maior a chance de termos produtos de qualidade ao alcance de quem hoje não tem escolha. Do ponto de vista social, isso importa. E há mercado para quem se mexe. As marmitas fitness cresceram 48% no estado de São Paulo entre 2018 e 2023, segundo o Sebrae, e o interesse por comida fitness chega a 68%, atrás só do prato feito tradicional, com 73%, informa a [Academia Assaí](https://www.academiaassai.com.br/noticia/negocios/marmitas-fitness-como-lucrar-com-esse-negocio-em-2025). ## O que fazer com isso **Marcas de lanche, biscoito e bebida** que vendem bem em cantina precisam de um plano para o dia em que a regra mudar. A pergunta para a próxima reunião: quanto do seu volume depende da escola, e qual produto seu continuaria lá dentro com a lei aprovada? **Indústria e varejo de alimentos saudáveis** têm um argumento que a regra reforça. A pergunta: o seu produto cabe no bolso de quem hoje compra o ultraprocessado porque é o mais barato? **Agências** que atendem alimento infantil vão trabalhar com a regra mais apertada sobre marketing para crianças, que a própria OMS defende. Grava isso: a conversa é com os pais. A alimentação está no relatório [Bem-estar no Brasil 2026](/relatorios/bem-estar/#bem-estar-completo), ao lado de proteína, farmácias e longevidade. ## Perguntas frequentes ### Quanto o brasileiro come de ultraprocessados? Em média, cerca de 20% das calorias, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP noticiada pela Veja Saúde. Pela POF 2020 do IBGE, citada pela Agência Senado, a fatia é de 26,7% entre adolescentes, 19,5% entre adultos e 15,1% entre idosos. ### Qual é o limite de ultraprocessados na merenda escolar? O governo federal anunciou a redução do limite de 20% para 15% em 2025, com meta de 10% em 2026, durante o 6º Encontro Nacional do Programa Nacional de Alimentação Escolar, segundo o g1. ### A venda de ultraprocessados nas escolas vai ser proibida? Está em discussão. A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou o Projeto de Lei 4501/2020, que proíbe a venda de alimentos ultraprocessados em escolas, informou o Sintepe. ### As cantinas vendem mais ultraprocessados que comida in natura? Sim. Pesquisa da UFMG com outras 23 instituições, em quase 3 mil cantinas e ambulantes de todas as capitais, mostrou que ultraprocessados são cerca de 50% mais vendidos que alimentos in natura nas cantinas de escolas particulares. No comércio ambulante, a diferença chega a 117%.