
Neste artigo
- O uso cresce rápido, e boa parte fora do balcão
- O carrinho muda, mas não do jeito que se imagina
- Farmácia vira palco do fenômeno
- Nasce uma indústria em volta da caneta
- O contrabando acompanha a demanda
- O regulador aperta
- A caneta virou pauta cultural (e de preconceito)
- O que fazer com isso
- Perguntas frequentes
As canetas à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, saíram do consultório e entraram na conversa do dia a dia. Para quem trabalha com marca, alimentação, farmácia ou conteúdo, a pergunta deixou de ser se elas vão mudar o consumo. A pergunta agora é onde a mudança já aparece. Separamos sete sinais da base do Sinapse. Todos têm link para a matéria original.
Este texto trata de comportamento de consumo e mercado. Não é orientação médica.
1. O uso cresce rápido, e boa parte fora do balcão
Um estudo da Scanntech, noticiado pela Abramark, aponta crescimento de 239% no uso total desses medicamentos no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. O mesmo estudo estima que mais da metade das doses consumidas no país pode vir do mercado informal.
Nossa leitura: o fenômeno é maior do que as vendas oficiais mostram. Qualquer estimativa de mercado baseada só no varejo formal subestima o tamanho do público.
2. O carrinho muda, mas não do jeito que se imagina
A intuição diz que quem usa caneta compra menos besteira. Os dados complicam essa ideia. Uma pesquisa da Varejo 360, publicada pela CNN Brasil em 2025, registrou alta de 56% no consumo de refrigerantes tradicionais entre usuários desses medicamentos.
Nossa leitura: o comportamento de quem usa caneta não é linear. Comer menos não significa necessariamente comer “melhor”. É um público para estudar de perto, não para estereotipar.
3. Farmácia vira palco do fenômeno
O Grupo Panvel registrou lucro líquido ajustado de R$ 38,9 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 39,1% sobre o ano anterior. O resultado foi atribuído em parte às canetas, segundo a CNN Brasil. O lado B também aparece. A Abrafarma relata perdas de até R$ 280 milhões com furtos, e as redes passaram a usar chips de rastreamento e geladeiras trancadas com senha.
4. Nasce uma indústria em volta da caneta
A paranaense Maxinutri viu crescer mais de 10% a receita de produtos voltados a usuários desses medicamentos e projeta faturar entre R$ 425 milhões e R$ 430 milhões em 2026, segundo o Valor Econômico. No food service, o McDonald's confirmou que testa opções de cardápio para esse público, com porções ajustadas e mais proteína, de acordo com o O Livre.
Nossa leitura: porção menor, mais proteína e suplementação para quem come pouco formam um território novo para marcas de alimentação.
5. O contrabando acompanha a demanda
As canetas viraram o segundo produto mais apreendido pela Receita Federal na Alfândega de Foz do Iguaçu, atrás apenas dos smartphones, mostrou o g1. O g1 também noticiou a venda clandestina de retatrutida, substância sem aprovação em nenhum país.
6. O regulador aperta
Em abril de 2026, a Anvisa anunciou que vai avaliar regras mais rígidas para o insumo importado usado por farmácias de manipulação, informou a Folha de S.Paulo. Em agosto, o Conselho Federal de Medicina alertou os médicos sobre a vedação ao uso de tirzepatida sem registro sanitário, também segundo a Folha.
Para quem comunica: qualquer conteúdo que encoste no tema precisa de cuidado redobrado. O ambiente regulatório está em movimento.
7. A caneta virou pauta cultural (e de preconceito)
Pesquisadores ouvidos pelo Jornal da USP observam que o uso “ultrapassou a indicação terapêutica, ganhando importância estética”. Em agosto, o cantor Gaab anunciou que se afastaria das redes depois de críticas pela perda de peso com Mounjaro e disse ao g1 que sofreu preconceito por usar o medicamento.
Nossa leitura: a caneta divide opiniões, e marcas que tomam partido de forma descuidada correm risco. A oportunidade está em acolher, informar e não julgar.
O que fazer com isso
- Marcas de alimentação: testar porções menores, versões com mais proteína e comunicação sobre saciedade, sem prometer emagrecimento.
- Farmácias e saúde: o cliente da caneta volta com frequência. Serviços de acompanhamento e orientação viram diferencial.
- Social medias e agências: o tema rende muito engajamento e muito risco. Use dados com fonte e evite qualquer promessa de resultado.
Esse é um dos temas do relatório Bem-estar no Brasil 2026. A versão pocket pode ser lida de graça.
Perguntas frequentes
Quanto cresceu o uso de canetas emagrecedoras no Brasil?
O uso total de medicamentos à base de GLP-1 cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo estudo da Scanntech noticiado pela Abramark. O mesmo estudo estima que mais da metade das doses consumidas no país pode vir do mercado informal.
Quem usa Ozempic ou Mounjaro compra menos refrigerante?
Não necessariamente. Uma pesquisa da Varejo 360, publicada pela CNN Brasil em 2025, registrou alta de 56% no consumo de refrigerantes tradicionais entre usuários desses medicamentos. Comer menos não significa comer melhor.
Como as marcas de alimentação estão se adaptando às canetas GLP-1?
A Maxinutri viu crescer mais de 10% a receita de produtos voltados a usuários desses medicamentos e projeta faturar entre R$ 425 milhões e R$ 430 milhões em 2026, segundo o Valor Econômico. O McDonald's confirmou que testa opções de cardápio com porções ajustadas e mais proteína, de acordo com O Livre.
O que a Anvisa e o CFM fizeram sobre as canetas em 2026?
Em abril de 2026, a Anvisa anunciou que vai avaliar regras mais rígidas para o insumo importado usado por farmácias de manipulação, segundo a Folha de S.Paulo. Em agosto, o Conselho Federal de Medicina alertou os médicos sobre a vedação ao uso de tirzepatida sem registro sanitário.
Fontes citadas
- Estudo da Scanntech mostra que mais da metade das doses de GLP-1 no Brasil pode vir do mercado informal Abramark, 24 de junho de 2026
- Consumo de refrigerante aumentou 56% entre quem usa canetas emagrecedoras CNN Brasil, 17 de setembro de 2025
- CEO da Panvel: Sentimos impacto de canetas emagrecedoras CNN Brasil, 7 de agosto de 2026
- Furtos de canetas emagrecedoras causam perdas de até R$ 280 mi e mudam rotina de farmácias Abrafarma, 7 de abril de 2026
- Fabricante de suplementos projeta receita de até R$ 430 milhões em 2026 com avanço das canetas emagrecedoras Valor Econômico
- McDonald’s deve oferecer em breve cardápio especial para usuários de Mounjaro O Livre, 17 de fevereiro de 2026
- Canetas emagrecedoras ilegais com substâncias em teste no Brasil g1
- Retatrutida: substância emagrecedora sem aprovação é vendida clandestinamente no Brasil g1
- Anvisa tenta corrigir brechas que impulsionaram mercado de manipulação de canetas emagrecedoras Folha de S.Paulo, 6 de abril de 2026
- CFM alerta médicos sobre prescrever tirzepatida sem registro na Anvisa Folha de S.Paulo, 11 de agosto de 2026
- Estética, cultura e classe: o que está por trás do uso de “canetas emagrecedoras” sem indicação Jornal da USP, 17 de dezembro de 2025
- Cantor Gaab sai das redes após críticas por perder 40 kg com Mounjaro g1



