Sinapse

Início / Blog / Trabalho

NR-1 e saúde mental: por que o bem-estar virou obrigação das empresas

Com a atualização da NR-1, os riscos psicossociais entram no gerenciamento de riscos das empresas. Os números que explicam a mudança e o que ela abre para marcas e serviços.

Bruno Lobo Pinheiro

Fundador e estrategista da Shaper

Publicado em
Atualizado em
5 min de leitura

+68% afastamentos por transtornos mentais em 2024
Neste artigo
  1. O que mudou
  2. Por que agora: os números da crise
  3. A liderança também está no limite
  4. Contexto global: bem-estar dá retorno?
  5. O que fazer com isso
  6. Perguntas frequentes

Durante anos, o bem-estar no trabalho foi benefício: academia com desconto, fruta na copa, palestra no Setembro Amarelo. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, ele passa a ser gestão de risco. Explicamos o que mudou e por que isso importa para quem vende para empresas ou comunica para trabalhadores. Cada dado tem link para a fonte.

Este texto é uma leitura de mercado e comportamento. Não substitui orientação jurídica ou de segurança do trabalho.

O que mudou

A atualização da NR-1 obriga as empresas a tratar a saúde mental como um risco ocupacional a ser gerenciado na origem, e não mais como um problema individual do funcionário. A fiscalização estava prevista para começar em 26 de maio de 2026, segundo o Diário do Comércio.

Por que agora: os números da crise

O Brasil registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2024, alta de 68% sobre 2023, segundo dados do Ministério da Previdência Social citados pelo Jornal da USP. Ao mesmo tempo, 86% dos brasileiros relataram sintomas de burnout no último ano, e 39% os sentem pelo menos uma vez por semana, informou o Valor Econômico.

O desgaste aparece no engajamento: 61% dos trabalhadores brasileiros estão desengajados, e seis em cada dez pensam em pedir demissão com alguma frequência, mostrou o g1. Até as férias ficam pela metade. Só 33% dos brasileiros aproveitam os 30 dias a que têm direito, segundo pesquisa da Deel com a Andreessen Horowitz noticiada pelo g1.

A liderança também está no limite

O uso de psicofármacos entre líderes para lidar com estresse, ansiedade e burnout saltou de 18% em 2024 para 52% em 2025, segundo a Você RH.

Nossa leitura: a norma não cria o problema, só o torna visível na planilha. Quem gerencia equipes está tão exausto quanto quem é gerenciado.

Contexto global: bem-estar dá retorno?

Um estudo global de 2024 da Wellhub indica que 95% das empresas que medem o retorno de programas de bem-estar relatam resultado positivo, e quase dois terços dos gestores falam em pelo menos R$ 2 de ganho para cada R$ 1 investido, segundo a Rádio Itatiaia. Vale lembrar que o estudo é de uma plataforma do próprio setor.

O que fazer com isso

  • Serviços B2B (saúde, bem-estar, alimentação corporativa): o comprador mudou. Agora a conversa é com quem responde pelo gerenciamento de riscos, não só com o RH de benefícios.
  • Marcas empregadoras: discurso de bem-estar sem prática virou passivo. Comunique o que está sendo medido e feito.
  • Agências e social medias: conteúdo sobre pausa, limite e saúde mental no trabalho tem público enorme. Para falar de saúde mental com responsabilidade, a ABP tem um guia gratuito para criadores de conteúdo, citado pela Uniad.

Bem-estar corporativo é uma das 8 tendências do relatório Bem-estar no Brasil 2026 · Completo.

Perguntas frequentes

O que muda com a atualização da NR-1 na saúde mental?

A NR-1 atualizada obriga as empresas a tratar a saúde mental como risco ocupacional a ser gerenciado na origem, e não como problema individual do funcionário. A fiscalização estava prevista para começar em 26 de maio de 2026, segundo o Diário do Comércio.

Quantos afastamentos por transtornos mentais o Brasil teve em 2024?

O Brasil registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2024, alta de 68% sobre 2023. Os dados são do Ministério da Previdência Social, citados pelo Jornal da USP.

Quantos brasileiros têm sintomas de burnout?

86% dos brasileiros relataram sintomas de burnout no último ano, e 39% os sentem pelo menos uma vez por semana, segundo o Valor Econômico. Entre líderes, o uso de psicofármacos para lidar com estresse, ansiedade e burnout saltou de 18% em 2024 para 52% em 2025, de acordo com a Você RH.

Programas de bem-estar corporativo dão retorno?

Um estudo global de 2024 da Wellhub indica que 95% das empresas que medem o retorno desses programas relatam resultado positivo, e quase dois terços dos gestores falam em pelo menos R$ 2 de ganho para cada R$ 1 investido, segundo a Rádio Itatiaia. O estudo é de uma plataforma do próprio setor.

Fontes citadas

  1. Da reação à prevenção: saiba como se adaptar à nova era da saúde mental no trabalho Diário do Comércio, 15 de setembro de 2025
  2. Afastamento do trabalho por transtornos mentais cresce 68% no Brasil Jornal da USP, 2 de abril de 2025
  3. Esgotamento em massa: 86% dos profissionais brasileiros relatam sintomas de burnout Valor Econômico
  4. Seis em cada dez trabalhadores já pensaram em pedir demissão, diz pesquisa g1
  5. Férias no Brasil: só 1 em cada 3 trabalhadores tira os 30 dias g1
  6. Uso de psicofármacos em empresas mais que dobrou em 2025 – assunto ainda é tabu Você RH, 20 de outubro de 2025
  7. Empresa que investe em saúde do trabalhador vê retorno de R$ 2 para cada R$ 1; entenda como Rádio Itatiaia, 4 de setembro de 2025
  8. ABP lança cartilha para influenciadores sobre saúde mental e prevenção do suicídio nas redes sociais Uniad, 4 de setembro de 2025

Receba os sinais primeiro

Baixe o capítulo grátis do relatório de bem-estar e passe a receber a newsletter do Sinapse.

Receba o capítulo grátis

Um capítulo inteiro do relatório de bem-estar de outubro de 2026, com a fonte de cada fato.

Ao baixar, você passa a receber a newsletter do Sinapse, com tendências, novas edições e convites da Shaper.