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Ultraprocessados respondem por 26,7% das calorias dos adolescentes brasileiros, e a regra sobre eles aperta na merenda, na cantina e no Senado. Para as marcas de alimento, a escola virou a linha de frente da discussão. Os números estão abaixo, com a fonte de cada um, junto com a disputa política e o que fazer antes que a regra chegue.
Quanto o brasileiro come de ultraprocessados
Em média, cerca de 20% das calorias que o brasileiro ingere vêm de ultraprocessados, com consumo maior nas áreas urbanas, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP noticiada pela Veja Saúde. A fatia muda muito com a idade. Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2020, do IBGE, citados pela Agência Senado:
| Faixa etária | Calorias vindas de ultraprocessados |
|---|---|
| Adolescentes | 26,7% |
| Adultos | 19,5% |
| Idosos | 15,1% |
A escola virou a linha de frente
Nas cantinas de escolas particulares, ultraprocessados são cerca de 50% mais vendidos do que alimentos in natura ou minimamente processados. No comércio ambulante perto das escolas, a diferença chega a 117%. O estudo, da UFMG com outras 23 instituições, analisou quase 3 mil pontos de venda em todas as capitais, segundo a UFMG.
A regra está apertando nas duas pontas. Na merenda pública, o governo federal anunciou a redução do limite de ultraprocessados de 20% para 15% em 2025, com meta de 10% em 2026, informou o g1. Na cantina, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou o Projeto de Lei 4501/2020, que proíbe a venda de ultraprocessados em escolas, segundo o Sintepe.
A disputa política em volta do prato
Agro, varejo e indústria se uniram num lobby contra o chamado "imposto do pecado" sobre ultraprocessados, mostrou o Brasil de Fato em março de 2025. Seis meses depois, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a pressão de empresas de tabaco, álcool e ultraprocessados impede governos de adotar políticas de saúde como impostos e restrições ao marketing para crianças, segundo a Folha de S.Paulo.
Nossa leitura: a discussão saiu da nutrição e entrou na política. Merenda, projeto de lei e tributo estão na mesa ao mesmo tempo. Marca que espera a lei passar para decidir o que fazer vai decidir com pressa.
O ultraprocessado é o mais barato da gôndola
Para mim, o ponto principal é econômico. O ultraprocessado é o vilão. E é a solução mais barata na gôndola. Tem uma questão de classe aqui: qual família consegue fugir dele, e qual, infelizmente, não consegue.
Por isso eu acredito que a legislação tem que ser mais rigorosa. A lupa no rótulo faz pouca diferença para quem já é fiel a um produto. Mas quanto mais regra, maior a chance de termos produtos de qualidade ao alcance de quem hoje não tem escolha. Do ponto de vista social, isso importa.
E há mercado para quem se mexe. As marmitas fitness cresceram 48% no estado de São Paulo entre 2018 e 2023, segundo o Sebrae, e o interesse por comida fitness chega a 68%, atrás só do prato feito tradicional, com 73%, informa a Academia Assaí.
O que fazer com isso
Marcas de lanche, biscoito e bebida que vendem bem em cantina precisam de um plano para o dia em que a regra mudar. A pergunta para a próxima reunião: quanto do seu volume depende da escola, e qual produto seu continuaria lá dentro com a lei aprovada?
Indústria e varejo de alimentos saudáveis têm um argumento que a regra reforça. A pergunta: o seu produto cabe no bolso de quem hoje compra o ultraprocessado porque é o mais barato?
Agências que atendem alimento infantil vão trabalhar com a regra mais apertada sobre marketing para crianças, que a própria OMS defende. Grava isso: a conversa é com os pais.
A alimentação está no relatório Bem-estar no Brasil 2026, ao lado de proteína, farmácias e longevidade.
Perguntas frequentes
Quanto o brasileiro come de ultraprocessados?
Em média, cerca de 20% das calorias, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP noticiada pela Veja Saúde. Pela POF 2020 do IBGE, citada pela Agência Senado, a fatia é de 26,7% entre adolescentes, 19,5% entre adultos e 15,1% entre idosos.
Qual é o limite de ultraprocessados na merenda escolar?
O governo federal anunciou a redução do limite de 20% para 15% em 2025, com meta de 10% em 2026, durante o 6º Encontro Nacional do Programa Nacional de Alimentação Escolar, segundo o g1.
A venda de ultraprocessados nas escolas vai ser proibida?
Está em discussão. A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou o Projeto de Lei 4501/2020, que proíbe a venda de alimentos ultraprocessados em escolas, informou o Sintepe.
As cantinas vendem mais ultraprocessados que comida in natura?
Sim. Pesquisa da UFMG com outras 23 instituições, em quase 3 mil cantinas e ambulantes de todas as capitais, mostrou que ultraprocessados são cerca de 50% mais vendidos que alimentos in natura nas cantinas de escolas particulares. No comércio ambulante, a diferença chega a 117%.
Fontes citadas
- 20% da dieta dos brasileiros é composta por ultraprocessados Veja Saúde, 1 de setembro de 2025
- Conceito e questões de saúde contrapõem debatedores sobre ultraprocessados Agência Senado, 26 de maio de 2026
- Escolas particulares vendem 50% mais ultraprocessados do que alimentos saudáveis UFMG
- Governo limite de ultraprocessados na merenda escolar para 15% g1
- Projeto que proíbe venda de comida ultraprocessada em escolas avança no Senado Sintepe, 3 de julho de 2026
- Lobby de ultraprocessados uniu agro, varejo e indústria contra ‘imposto do pecado’ Brasil de Fato, 17 de março de 2025
- Gigantes do álcool, tabaco e ultraprocessados impedem novas políticas de saúde, diz OMS Folha de S.Paulo, 19 de setembro de 2025
- Página inicial Academia Assaí, 17 de novembro de 2025



